Agência de classificação de risco alterou nota de crédito brasileira de "BB-" para "BB" com incertezas sobre futuro das reformas

 

O Brasil ficou, na noite desta quinta-feira (11), um degrau mais distante do grau de investimento atestado pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), após a agência confirmar o rebaixamento da nota de crédito brasileira para BB-. A decisão da S&P pode levar outras agências de risco a realizarem cortes nas notas de crédito do país.

De acordo com a S&P, o motivo para rebaixamento da nota brasileira de “BB para BB-“ é a demora na aprovação das reformas e o desequilíbrio nas contas públicas – que poderia ser amenizado com as reformas que estão sendo adiadas, e que não parecem ter, ainda, apoio suficiente do Congresso para serem aprovadas.

Com as mudanças, o Brasil fica ainda mais distante do grau de investimento no rating da Standard & Poor’s, que concede o selo de bom pagador aos países e atrai novos investidores e financiadores. Após o rebaixamento, no entanto, as projeções para a nota de crédito brasileira foram alteradas de negativa para estável – sugerindo a manutenção da nova nota no curto e médio prazo.

 

Agências alertaram para rebaixamento

A S&P não foi a única agência de risco que alertou para o rebaixamento da nota brasileira. Em dezembro de 2017, Moody's e Fitch Ratings informaram que poderiam cortar a nota do país em breve. O motivo do aumento de risco de rebaixamento do Brasil pelas agências no mês passado era justamente a decisão do governo em adiar a votação da Reforma da Previdência para fevereiro deste ano.

Na época, o vice-presidente e analista sênior da Moody's, Samar Maziad, disse que o adiamento da votação da Reforma da Previdência "fortalece as preocupações sobre a capacidade do governo para cumprir o teto de gastos e endereçar, efetivamente, as tendências fiscais adversas, que têm gerado uma persistente deterioração do perfil de crédito do país nos últimos anos".

A decisão da S&P em rebaixar a nota de crédito do país pode, agora, levar outras agências de classificação de risco a reduzir a nota brasileira – o que poderia piorar ainda mais o cenário de incertezas e desconfianças quanto ao futuro do Brasil e a capacidade do país de pagar suas dívidas, afugentando investidores, que preferem investir em ecconomias mais confiáveis, comos os Estados Unidos.