O regresso da inflação e o incentivo ao crescimento em nível global devem ser os temas que vão ditar as regras no mercado mundial em 2017. Eventos políticos e eleitorais ao longo do ano – somados ao fator China, no entanto, podem gerar incertezas e volatilidade. Saiba mais sobre a visão da BlackRock Investment Institute – líder global em gestão de investimentos e riscos, e de outras grandes gestoras para o mercado mundial em 2017.

 

Crescimento econômico e gestão de riscos

Após anos de taxas de inflação próximas a zero em diversas economias, o novo ano deve trazer a reflação, direcionada pelo plano econômico de Donald Trump nos Estados Unidos, cujo principal objetivo é a implementação de medidas que visem o crescimento da economia norte-americana. Como resultado dessa nova política, de acordo com a gestora BlackRock, além do aumento da inflação, espera-se para 2017 um incremento nos salários (o que já vem ocorrendo desde dezembro do ano passado, com o aumento de 0,4% na renda média dos trabalhadores nos EUA), expansão fiscal e um crescimento nominal econômico mais efetivo.

No relatório “Global Investment Outlook 2017”, sobre as perspectivas para o mercado mundial neste ano, a BlackRock chama atenção também para o risco de uma bolha de crédito na China e o impacto de mudanças tecnológicas na economia. As análises da gestora destacam, ainda, a possibilidade de ganhos com ações sobre renda fixa – preferencialmente os fundos sem restrições, que dão liberdade ao gestor para buscar títulos em qualquer país e de qualquer qualidade de crédito ou vencimento, e sobre títulos públicos. Confira algumas destas análises presentes no documento:

 

Colhendo os frutos da reflação

As expectativas de juros mais acentuados ao longo do ano permitem  à BlackRock sugerir atenção especial à renda fixa e aos títulos públicos, priorizando obrigações de menor duração e indexadas à inflação, para proteção das posições para uma subida dos preços.

Embora os fundos de títulos sem restrições não tenham obtido desempenho consistente nos últimos anos, tanto a BlackRock quanto outros grandes gestores, como a Goldman Sachs Asset Management,  estão certos de que estes fundos entregarão, finalmente, o que prometem em 2017. Com as perspectivas de inflação e crescimento econômico nos EUA e no exterior, os fundos sem restrições de prazo, qualidade de crédito ou região geográfica serão beneficiados durante o ano, e poderão gerar resultados significativos aos investidores em 2017.

 

Rentabilidade: retirada de fundos sem restrições foi forte em 2016 e pode ser boa opção para 2017

 

Mercado e ações em alta

A expectativa é de uma liderança de empresas dos EUA e de economias emergentes para uma recuperação global em relação aos lucros. A BlackRock acredita no crescimento de lucros de diferentes setores da economia para 2017, como o setor bancário, e aposta no euro e ienes mais fracos, além do fortalecimento do dólar em relação a divisas emergentes.  A Goldman Sachs também aposta no reinado da moeda americana em 2017. De acordo com a gestora, os efeitos do Brexit e as eleições na Europa, por exemplo, podem ser favoráveis à consolidação do dólar frente ao euro e à libra britânica.

No campo das ações, devem estar em alta os setores de saúde e biotecnologia, os bancos regionais norte-americanos, ações japonesas, EM e empresas capazes de expandir seus pagamentos de dividendos ao longo do tempo. Tensões comerciais e políticas, no entanto, podem ser fator de risco em parte dos investimentos.

 

Riscos e ameaças em 2017

O mercado mundial deve se atentar aos eventos de risco que estão previstos para acontecer ao longo de 2017 e às ameaças e incertezas políticas e econômicas em diversos países. Alguns fatores de risco, no entanto, foram destacados pela BlackRock e por outras grandes gestoras. São eles:

 

Fator Trump

As incertezas dentro do panorama mundial têm início com os próximos passos a serem dados por Donald Trump nos EUA. O presidente eleito prometeu reduzir impostos, investir na infraestrutura do país e fomentar a manufatura americana, mas ainda é difícil prever até que ponto estas medidas impulsionarão o crescimento do país. Os planos fiscais do presidente eleito, por exemplo, poderiam resultar em forte crescimento da economia norte-americana, mas os potenciais efeitos secundários das medidas são incertos.

Além disso, ainda há certa apreensão global em relação ao futuro governo de Trump e às suas ações pessoais: um simples tweet poderia provocar um mal-entendido internacional ou até mesmo conflitos comerciais, o que gera ainda mais incertezas no mercado mundial, principalmente durante os primeiros meses de 2017.

 

Fator Tecnologia

No setor de tecnologia, a aposta da BlackRock é nos avanços na inteligência artificial, que poderiam impactar diversos setores da economia.  De acordo com o relatório, o número de trabalhadores na produção dos EUA caiu quase 30% desde 2000, enquanto a produção industrial aumentou no mesmo período, indicando que os avanços tecnológicos têm impactado diretamente os empregos tradicionais e reformando o setor industrial ano após ano.

Os avanços da inovação tecnológica associada à globalização geram, por conseqüência, receio na população e dúvidas quanto à manutenção de seus empregos e estabilidade financeira. Estes sentimentos, por sua vez, alimentam e impulsionam as políticas populistas ao redor do mundo, cujos resultados também podem causar perturbações e impactar a economia global.

 

Fator China

O BlackRock destaca os esforços da China para reequilibrar sua economia. As incertezas relacionadas à economia do país e as políticas adotadas pelo governo para tentar atingir esta estabilização geram, por conseqüência, maior risco de acidentes e efeitos (ruins) em diferentes moedas globais, nos preços de ativos e na economia mundial.

Os riscos são impulsionados, principalmente, para o possível crescimento da saída de capitais estrangeiros do país e à desvalorização do Yuan, que podem gerar grande estresse no mercado e levar o governo chinês a intervir com vigor na economia para conter a saída de capitais, desencadeando uma série de efeitos negativos no mercado global.

 

Fator Europa

Acontecimentos ao longo do ano em diversos países da Europa também são fator de risco para o mercado Global. A BlackRock destaca  a movimentação das negociações no Reino Unido – com duração de dois anos, que determinarão a saída do país da União Europeia, e as eleições nos Países Baixos, França e Alemanha, em meio à forças populistas hostis à União Europeia.

Além da BlackRock, a Goldman Sachs, Citi e Allianz Gl também consideram estes movimentos populistas um dos principais riscos de 2017, e salientam que os eventos políticos previstos para o ano poderão gerar ansiedade nos investidores globais.

Para ficar atento em 2017: Destinos e datas de eventos de risco no mundo