As tentativas da China em defender sua moeda e manipular o mercado estão se tornando cada vez mais agressivas. Após promover um arrocho no controle de capitais de cidadãos interessados em retirar recursos da China e enviá-los ao exterior e dificultar a movimentação financeira de grandes multinacionais, o governo chinês voltou a intervir fortemente no mercado nesta semana, aumentando as incertezas dos investidores e promovendo forte estresse no mercado.

Na última terça-feira (3), a moeda chinesa yuan no mercado offshore – que é negociado livremente em Hong Kong, teve forte declínio ante o dólar, o que gerou estresse no mercado e o temor de que o fluxo de saída de capitais da China se intensificasse nas próximas semanas. Diante da apreensão do mercado, o governo chinês decidiu aumentar, no pregão de quinta-feira (5), os custos de empréstimos de yuans em Hong Kong – que estavam acima de 10% desde o final do ano, para 38,3%.

 Deja Vu na China: aumento da taxa overnight sobre o yuan volta a acontecer um ano depois

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No pregão desta sexta-feira (6), no entanto, as taxas sofreram um aumento ainda maior por parte do Banco Central Chinês, subindo para 61,3% – o segundo maior patamar já visto no país, obrigando os investidores a se desfazerem de posições vendidas.

Como resultado das medidas, o yuan offshore atingiu seu maior nível desde novembro do ano passado. A moeda obteve ganhos de 0,6%, com o dólar a 6,826 yuans. Também houve forte alta nos Treausuries e no Ouro.

Esta é a segunda vez que a China manipula o mercado através do incremento de taxas de empréstimos de yuans. Em janeiro do ano passado, o custo de empréstimos na praça de Hong Kong chegaram a 66,8%.

  O panorama das reservas estrangeiras chinesas e o Yuan

O panorama das reservas estrangeiras chinesas e o Yuan nos últimos anos

 

Próximos passos

A queda de braço entre o governo chinês e o mercado não parece terminar tão cedo e, devido às recentes intervenções da China no yuan, fica difícil identificar os próximos passos do país para evitar a fuga de capitais do seu território e manter o controle de sua moeda.

De acordo com a Bloomberg, no entanto, a China tem estudado possíveis cenários para a moeda local e para a saída de capital em 2017 e prepara planos de contingência para manter-se no comando de sua economia, que podem incluir a venda  de títulos do Tesouro Americano e a adoção de medidas que obriguem empresas estatais  a converter parte de seus ativos em yuan sob conta corrente, temporariamente.

As próximas medidas do governo chinês para controlar a economia do país dependerão, agora, da aceleração ou desaceleração da saída de capital nos próximos meses, do fortalecimento da moeda norte-americana e da adoção ou não de medidas protecionistas prometidas por Donald Trump nos Estados Unidos, que poderiam afetar a China de modo imediato. Por enquanto, o mercado mantém-se em alerta, analisando as implicações e impactos das medidas adotadas pela China para o mercado global.