Suspensão de negócios do Google com a Huawei foi confirmado após governo dos EUA colocar a chinesa em uma lista de boicote comercial; impacto noa Huawei deverá ser imediato

 

O posto da chinesa Huawei como segunda maior fabricante de smartphones do mundo pode estar ameaçado. Depois de superar a norte-americana Apple como uma das maiores empresas do segmento no mercado mundial há pouco mais de um mês, a fabricante Huawei parece estar sofrendo mais um grande viés em sua história: o fim da parceria com o Google.

A ruptura entre as empresas – em um movimento que pode impactar negativamente as vendas da companhia chinesa nos próximos meses e anos – foi confirmada pelo Google no último domingo (19), em uma reação à inserção da Huawei na lista de boicote comercial do governo dos Estados Unidos nos últimos dias.

Em nota à agência de notícias Reuters, o Google informou que estava cumprindo o veto do governo de Donald Trump e que, por isso, estaria suspendendo quaisquer negócios com a fabricante de smartphones que prevejam transferência de equipamentos, serviços e programas.

 

Impacto imediato


A decisão do Google em romper relações comerciais com a segunda maior fabricante de celulares do mundo deve afetar, em um primeiro momento, os consumidores que utilizam os smartphones da Huawei. Isso porque a expectativa é que o Google não ofereça mais atualizações do sistema operacional Android aos modelos da Huawei e não disponibilize mais aplicativos para estes aparelhos – como o Gmail.com, Google Maps, YouTube, etc.

Se a decisão de boicotar a Huawei se manter pelos próximos meses – como deve ocorrer, a expectativa é que os celulares da marca chinesa não sejam mais comercializados com o sistema Android, que pertence ao Google. Para resolver este problema, a Huawei poderá ter que recorrer à versões mais simples (e de uso livre) do Android para manter seus aparelhos em funcionamento.

As mudanças - que afetam diretamente todo o modelo de negócios mantido pela Huawei – podem certar diretamente no coração da companhia, que vinha ganhando espaço no mercado mundial no que se refere à venda de smartphones. Em abril do ano passado, a chinesa ultrapassou a Apple em número de vendas no mundo e se tornou a segunda maior empresa do planeta no segmento de smartphone – apenas atrás da sul-coreana Samsung.

 

Efeito cascata


A decisão do Google em cumprir o boicote estabelecido pelo governo dos EUA à Huawei deve provocar um efeito cascata no mercado, especialmente entre as empresas norte-americanas que têm algum tipo de parceria comercial com a fabricante chinesa.

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, fabricantes de chips como a Intel, Qualcomm e a Broadcom também deverão anunciar em breve a interrupção de suas vendas à Huawei pelo mesmo motivo do Google.

 

Entenda o boicote


O boicote do governo norte-americano, anunciado nos últimos dias, não foi uma surpresa para o mercado mundial. Afinal, EUA e Huawei – uma as maiores empresas de telecomunicações de todo o globo - vêm travando intensas batalhas nos últimos meses, depois que o governo de Donald Trump levantou suspeitas sobre o uso da Huawei pelo governo chinês para espionagem.

Na última quinta-feira (16), duas medidas aprovadas por Trump foram decisivas para limitar ainda mais a atuação comercial da Huawei em solo norte-americano, afetando também suas atividades em todo o mundo, devido aos negócios fomentados com empresas dos EUA.

Caso as medidas impostas pelo governo norte-americano à Apple chinesa sejam mantidas, a expectativa é que a empresa perca cada vez mais negócios e consumidores em todo o mundo nos próximos meses. Como alternativa, a chinesa precisaria buscar, em um curto período de tempo, desenvolver seu próprio sistema operacional. Esta, no entanto, seria apenas a solução para um único problema – em meio a diversos contratempos com os quais a Huawei precisa lidar neste momento para que seus smartphones não se tornem, em breve, obsoletos em todo o mundo.

 

Atualização: Na sessão da última segunda-feira (20), as ações da Alphabet (Google) recuaram mais de 2,06% em Wall Street, impactadas pelo fator Huawei.