Mercado global se mantém atento aos desdobramentos das relações comerciais entre as duas potências e de uma iminente guerra comercial

 

As bolsas chinesas fecharam em queda nesta terça-feira (19), com o aumento das tensões entre o governo da China e dos Estados Unidos e o receio de uma iminente guerra comercial entre as duas potências.  Em Xangai, a bolsa caiu 3,78%, no menor patamar em dois anos.

A apreensão do mercado global – que segue atento aos desdobramentos das relações comerciais entre as duas potências mundiais – aumentou em meio a uma nova declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,que levantou a possibilidade de expandir a taxação de 25% para a maior parte das importações chinesas – cerca de US$ 450 bilhões – caso a China mantenha a postura de retaliar os produtos norte-americanos com taxação adicional.

 

Guerra comercial à vista

Na semana passada, Trump já havia anunciado a implementação de uma tarifa de 25% sobre importações de produtos chineses que contivessem "tecnologias muito importantes no plano industrial". Em retaliação, o governo chinês elevou tarifas sobre US$ 50 bilhões em bens oriundos dos EUA.

Por meio de comunicado, Trump afirmou que possíveis "novas ações" relacionadas à taxação de produtos chineses "deverão ser tomadas para pressionar a China e mudar suas práticas deleais, abrir seu mercado aos bens dos EUA e admitir uma reçação comercial mais equilibrada".

Em resposta à possibilidade de uma taxação ainda maior dos produtos chineses que chegam aos EUA, o Ministério do Comércio da China afirmou, nesta terça-feira, que Pequim agirá com medidas “qualitativas e quantitativas” caso os Estados Unidos publiquem uma lista adicional de tarifas sobre bens chineses.

 

Déficit comercial

O principal objetivo da taxação dos produtos chineses pelos Estados Unidos é diminuir o déficit comercial entre ambos os países. Em 2017, de acordo com informações do jornal O Globo, a China importou mais de US$ 130,4 bilhões em bens e mercadorias dos EUA.

No mesmo período, no entanto, os EUA importaram o montante de US$ 505,6 bilhões em produtos chineses, gerando um déficit de mais de US$ 375 bilhões para a economia norte-americana.

 

Bolsas cedem na Ásia

Os mercados asiáticos – em especial, o mercado chinês – sentiram a escalada das tensões entre China e EUA, e recuaram forte nesta terça-feira. Em Xangai, a bolsa caiu 3,78% e atingiu o menor patamar em dois anos, enquanto em Shenzhen o mercado acionário recuou 5,77%.

Em Hong King as perdas da sessão atingiram 3%, enquanto no Japão, a bolsa de Tóquio caiu 1,77%.No início do dia, tanto o dólar quanto a moeda chinesa yuan perderam força no mercado global.