E lá se vão 20 anos desde que eu tive os primeiros contatos com o mercado financeiro!

Minha história no mercado começou cedo: tinha 17 anos, recém havia ingressado na faculdade de engenharia. Havia formado uma poupança desde a infância, na época totalizando R$ 10.000,00. Como não estava satisfeito com a rentabilidade da poupança, fui em busca de outras alternativas de investimentos.

Fui ao banco e peguei um folder com a rentabilidade de alguns fundos. Saltou aos olhos a rentabilidade dos fundos de ações, com mais de 50% de ganho no ano anterior, bem melhor que a minha poupança. Fiquei interessado e fui buscar informações com a minha gerente. Ela desaconselhou o fundo de ações e recomendou a compra de um título de capitalização. Esse título só poderia gerar um bom resultado para a comissão dela. Nesse momento aprendi umas das primeiras lições no mercado: existem muitos conflitos de interesse entre os prestadores de serviços financeiros e os seus clientes. O maior interessado pela boa gestão dos seus recursos é você mesmo.

Aprendida essa primeira lição, fui em busca de informações sobre como alcançar aquela rentabilidade oferecida pelos fundos de ações. A internet demonstrou ser uma grande ferramenta de pesquisa, principalmente sites americanos, já que no Brasil praticamente inexistia literatura sobre o assunto. Numa dessas pesquisas, me deparei com a Análise Técnica. Ela oferecia uma abordagem diferente da tradicional Análise Fundamentalista para entender o mercado, selecionar ativos e tomar decisões de compra e venda. Os pressupostos de um certo padrão de movimento que se repete ao longo do tempo, baseado no comportamento dos investidores fez muito sentido dentro do que eu já havia estudado da história do mercado.

Comecei então e me dedicar ao aprendizado da Análise Técnica (AT). Comprei alguns livros americanos e estudava freneticamente. Chegava a ler mais de um livro por dia. O próximo passo foi contratar um software de AT para fazer as minhas próprias análises. Nessa época comecei a trocar informações com outros investidores em comunidade na Internet. Como o meu capital era pequeno, passei a operar através de um fundo de investimento em ações, o que me obrigava a montar operações de prazo maior.

Em agosto de 1998 aprendi a segunda lição importante: o mercado pode fazer grandes variações num curto espaço de tempo, contra a sua posição. Perdi 20% do meu capital, mas a queda naquele mês foi de 50% no IBOV. Fui salvo por uma técnica que havia apreendido nos livros de AT: é preciso utilizar stops, um limite para o prejuízo em qualquer operação. Desde aquela experiência, passei a concentrar toda a minha atenção para o controle de risco. Não fosse o uso de stops, provavelmente não estaria aqui contando essa história para você.

No início de 1999, fiz o primeiro grande trade da minha vida. Fiz uma posição comprada em dólar alguns dias antes do estouro da moeda, o que gerou um lucro de mais de 40% em duas semanas. Senti o gosto doce da vitória, ele valia mais do que a variação em reais na minha conta, pois era o primeiro grande resultado após meses de dedicação intensa, o que meu deu mais ânimo para continuar a luta. A partir daí eu tinha um capital maior para operar as ações. Além disso, contei com um aporte de capital da minha avó e agora estava pronto para vôos mais altos.

Nesse mesmo ano surgiu no Brasil o sistema home broker, permitindo as operações de compra e venda de ações pela internet. Fui um dos primeiros usuários do sistema e passei a operar de forma regular, algumas vezes por semana. Acompanhava as cotações no intervalo das aulas na faculdade. Fiquei amigo dos monitores de laboratórios da engenharia para poder conectar na internet de qualquer lugar e acompanhar o movimento do mercado. Entre os meus colegas eu era o cara que operava na Bolsa”.

Fechei o ano com um resultado muito bom, o que me permitiu ter uma vida bastante confortável para os padrões de um estudante. Os livros sobre finanças pessoais focavam a estratégia para enriquecer no corte de gastos supérfluos. Eu preferia me concentrar no aumento da receita e manter sempre uma reserva para reinvestimento, mas sem passar por apertos.

Na virada do milênio veio o estouro da bolha das ponto com, o que permitiu acompanhar na vida real o que eu havia apenas lido a respeito. O mercado brasileiro ficou mais complicado, o que me obrigou a procurar outras estratégias, como operações de venda de ações ou utilizando derivativos. Quanto mais eu me interessava pela bolsa e os resultados apareciam, diminuía o meu interesse pela faculdade.

Em 2002 fui para o Rio de Janeiro fazer um estágio com o Márcio Noronha, um dos precursores da Análise Técnica no Brasil. Acabamos ficando amigos, foi uma experiência importante para a minha carreira. Nesse mesmo ano, conheci o meu sócio, Alexandre Wolwacz, mais conhecido no mercado como Stormer. Trocávamos mensagens no fórum de um home broker. Alguns usuários desse fórum pediram para nós montarmos uma palestra sobre o uso da AT para operar em bolsa. Montamos a primeira palestra em agosto daquele ano em Porto Alegre, onde reunimos uns vinte traders. Foi um sucesso. Logo começarmos a receber convites em topo o país para ministrarmos palestras: São Paulo, Rio, Curitiba, Belo Horizonte, Manaus…

Percebendo essa forte demanda, montamos uma empresa para ensinar as nossas estratégias para operar na bolsa. Em 2003 nasceu a Leandro&Stormer, com um site para que os alunos tivessem espaço para trocar informações sobre o mercado. Não conseguia mais tocar a faculdade, as operações em bolsa e o site. Foi uma decisão difícil, mas resolvi me dedicar totalmente ao mercado, através das minhas operações em bolsa e da gestão do site Leandrostormer. A Bolsa estava explodindo, tanto em valorização quanto em novos usuários. Os resultados começaram a se multiplicar. Além de operar, viajava por todo o país para ministrar cursos. Foi uma época muito divertida.

 

Escritório da época da Faculdade

Conforme o meu capital foi aumentando, cresceu a dificuldade para manter a mesma rentabilidade. Novo aprendizado: é muito mais difícil transformar cem mil reais em um milhão de reais do que dez mil reais em cem mil. Com um capital maior, fica mais difícil comprar ou vender uma ação sem que se altere o seu preço. Isso é ainda mais complicado para ações de menor liquidez.

Além disso, o aumento do capital requer maior organização nas operações. É preciso montar um bom plano de trade, desenvolver uma rotina de seleção de mercados a serem operados, avaliação desses mercados, a entrada e saída conforme o método escolhido. Nesse processo, o uso da tecnologia é muito importante.

Em 2004 o negócio da L&S foi expandido, com a oferta de serviços de assessoria para os alunos que buscavam operar no mercado com as estratégias desenvolvidas por nós. Em pouco tempo dessa nova operação, já tínhamos milhares de clientes. A Escola continuou crescendo exponencialmente.

O Brasil era a queridinho do mercado global nessa fase, e a Bolsa passou a atrair cada vez mais recursos. Passamos a ser referência no país em Análise Técnica. Muitos dias eram marcados por entrevistas à imprensa em todas as mídias: jornal, rádio, televisão e internet.

Na época que nem havia ainda claro o conceito de redes sociais, já tínhamos uma rede social para traders e investidores com mais de 80 mil usuários, o saudoso “Fórum da L&S”, que formou boa parte dos profissionais de mercado hoje em atividade.

 

Escritório antigo L&S

Em 2008 veio o grande crash global e o mercado brasileiro não ficou de fora da correção. Nossos alunos e clientes em sua maioria estavam preparados para o movimento. Foi um ano muito bom para quem seguia os preceitos dos métodos desenvolvidos por nós, seguindo o movimento dos preços e não as expectativas. Lembro muito bem que o Brasil fez o seu topo histórico, ainda em vigência, nos 73920 pontos, no dia 29 de maio, dia de anúncio do segundo “investment grade” do Brasil. A imprensa estava em festa, todo o dinheiro do mundo viria para o país. Um “analista” famoso chegou a traçar o alvo do IBOV nos 200 mil pontos!

Com o sucesso dos métodos nesse ano fatídico para muitos, atraímos ainda mais atenção do mercado e fomos um dos poucos escritórios de assessoria a crescer nessa época.

Ainda em 2008 montamos o primeiro grande Congresso de Traders com transmissão ao-vivo pela internet, a “Semana do Trader”, reunindo mais de dois mil traders e investidores presencialmente e pela internet.

Primeiro DVD

Continuei estudando e otimizando o meu método, agora incluindo técnicas de day-trade e utilização de opções e futuros nas operações. Foi nessa época que eu comecei os meus estudos do mercado internacional.

Em 2011, uma nova grande mudança. Viramos parceiros da XP Investimentos depois de longa negociação, oferecendo aos nossos clientes um verdadeiro shopping center financeiro.

Fechamento da parceria com XP (Capa do Valor Econômico)

Também nessa época comecei a diversificar a parte do meu patrimônio que eu chamo de reserva de valor, ou seja, aquela parte que eu não utilizava nas minhas operações. Afinal, eu não era mais aquele jovem de 17 anos que não tinha nada a perder. Creio que toda pessoa, mesmo os traders, devem criar uma reserva, que será a base da sua verdadeira liberdade financeira. Uma carteira que criará renda passiva ao longo do tempo.

Além dos óbvios ativos de renda fixa, passei a investir em imóveis e buscar outras empresas para comprar participações, além de participar da criação de novas. Hoje sou sócio de uma série de empresas nas mais diversas fases de desenvolvimento.

Com o legendário Larry Williams

Em 2013 passei a buscar uma nova experiência no exterior. Estava muito desgostoso com os rumos que o país estava tomando e com o aumento da violência no dia a dia. Eu alertei dezenas de vezes sobre o que estava acontecendo e como invariavelmente teríamos uma grande recessão em breve.

Como dizem os americanos, você deve “put your money where your mouth is”, ou seja, colocar o seu dinheiro naquilo que você fala. Passei então a alocar boa parte do meu patrimônio em ativos em dólar e mudei para os EUA.

Na NYSE, conversando com Jim Cramer numa aula da Liberta Global

De fato, a crise veio e o dólar explodiu...

Nos EUA criei uma Escola para Traders e Investidores focada no mercado internacional, a Liberta Global, que já conta com mais de 30 mil membros e mais de mil alunos.

Hoje a L&S virou um Grupo de empresas de educação, assessoria, análise, gestão, robôs de trade, investimentos imobiliários e ferramentas de trade.

Depois de milhares de operações nas costas, tenho cada vez menos interesse em tentar descobrir o próximo movimento do mercado. Prefiro me posicionar a favor do movimento mais provável, mas sem me colocar numa posição de grande prejuízo no caso de não confirmação desse movimento. O maior risco é não saber o risco de se está correndo.

Do ponto de vista de estratégia de investimento de longo prazo, sigo um conceito parecido, tanto na alocação em ativos financeiros como na participação dos mais variados projetos. Só vale a pena se o acerto gerar um grande ganho e um eventual erro gerar pequenos prejuízos em relação a todo patrimônio.

Para contar essa história e tudo que aprendi, estou lançado um novo treinamento, sobre tudo que aprendi em duas décadas de mercado e no contato com mais de 40 mil alunos treinados pelas nossas Escolas nesse tempo todo.

Clique aqui e confira o novo curso. Será um prazer conhecê-lo ou revê-lo, caso você já seja nosso aluno.