O CEO do Facebook se desculpou pelo vazamento de dados de usuários da rede social e negou que empresa tenha preferências políticas

 

O fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, esteve no Senado e no Congresso norte-americano nos últimos dias, a fim de dar explicações sobre o uso irregular de dados de mais de 87 milhões de usuários do Facebook pela consultoria Cambridge Analytica. As declarações de Zuckerberg foram bem recebidas pelo mercado, fazendo as ações do Facebook nos EUA avançarem e atingirem a maior alta intradiária desde 2016.

Durante cinco horas no Senado, na terça-feira (10), e no Congresso, nesta quarta-feira (11), o presidente-executivo da rede social se desculpou pelo caso de uso de dados de usuários da empresa pela Cambridge Analytica e informou que a empresa já tomou previdências em relação à sua política de privacidade, a fim de evitar reincidências.

O escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica veio à público em meados de março, quando um ex-funcionário da empresa britânica revelou que testes de personalidade e curtidas no Facebook eram utilizados pela companhia para coletar dados de usuários no Facebook. Estas informações revelavam um perfil psicológico completo de mais de 87 milhões de usuários da rede social, que passaram a receber conteúdo publicitário altamente personalizado.

 

 

O principal problema envolvendo esta dinâmica de vazamento de dados de usuários do Facebook e manipulação indevida por outras empresas estaria na captura de informações sem consentimento dos usuários. Isso porque, segundo o ex-funcionário da companhia britânica, eram coletados não somente dados de quem acessasse, por exemplo, testes de personalidade, por meio da rede social, mas também de toda a sua lista de amigos.

No Senado, Zuckerberg pediu desculpas pelo problema, admitiu culpa pelo mau uso de dados de usuários por terceiros e informou aos senadores que uma série de medidas foram tomadas para evitar que novos escândalos – que possam envolver usuários da rede social e/ou seus dados e informações pessoais – ocorram.

 

Pressão no Senado

Além de cobrarem explicações do Facebook quanto à segurança, manipulação incorreta de informações e vazamento de dados dos usuários, os senadores também questionaram Zuckerberg quanto à política do Facebook de restringir certos posts – muitos deles, de cunho político – de usuários na rede social.

Durante a sessão, o senador republicano Ted Cruz questionou Zuckerberg sobre o viés ideológico do Facebook e possíveis preferências políticas na condução de seus negócios ou seleção de funcionários. O CEO do Facebook, no entanto, negou que a empresa tivesse qualquer viés político ou que contratasse ou demitisse funcionários baseando-se em suas preferências políticas.

 

Regulamentação à vista

Já na Câmara norte-americana, na última quarta-feira (11), Zuckerberg falou sobre uma possível regulamentação do Facebook. Segundo ele, a companhia está disposta a discutir a regulamentação de empresas que lidam com grandes bases de dados. "É inevitável que vamos precisar de regulação", afirmou o CEO do Facebook, ao falar sobre empresas de internet.

Assim como fez no Senado, o presidente-executivo da rede social mais utilizada no mundo negou aos parlamentares americanos que a companhia venda dados de usuários a terceiros, embora forneça informações para anunciantes.

 

Ações em alta

Após as declarações de Zuckerberg no Senado, na terça-feira, as ações do Facebook fecharam em alta de 4,5%, e se mantiveram praticamente estáveis durante o pregão de quarta-feira (11). Segundo a Reuters, foi a maior alta diária das ações da empresa desde abril de 2016.

Os papéis da rede social, que chegaram ao patamar de US$ 152 em março, agora são negociados em Wall Street na casa dos US$ 166.